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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O Brasil e a civilização

Você acredita que o povo brasileiro é civilizado?

Esse é um tema muito delicado, pois sempre que generalizamos algo nos arriscamos a cometer injustiças. Vou correr esse risco e dizer que não somos um povo civilizado. Precisamos resolver muitos problemas antes de chegarmos perto de sermos um povo civilizado.

Por que estou afirmando isso? Bem, na realidade tenho muitos motivos, mas vou usar apenas um exemplo para tentar me explicar. Usarei o texto publicado no "Blog do Paulo Sant'Ana" entitulado "Bicicletas pelos ares".

O início do texto é o seguinte:
"O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e o prefeito da Cidade Maravilhosa, Eduardo Paes, em viagem à Europa, ficaram abismados quando viram como funciona lá o sistema público de aluguel de bicicletas, integrado às linhas do metrô de Paris.

Por esse sistema, o público aluga uma bicicleta num ponto e pode dispensá-la em outro lugar bem distante, bastando para isso fazer um pagamento nos postos de partida ou chegada.

E resolveram implantar o sistema no Rio de Janeiro, antes mesmo da Copa do Mundo 2014 e da Olimpíada 2016."

Você sabe como o texto continua? Pense um pouco. Tente imaginar o conteúdo dos próximos parágrafos. Se ficou curioso leia a texto completo no "Blog do Paulo Sant'Ana".

Para completar, obviamente não é apenas em Paris que existe esse tipo de sistema de aluguel de bicicletas. Você pode encontrar isso em muitas cidades européias. Nas cidades onde o sistema de aluguél não existe (ou mesmo que exista) o povo faz questão de usar bicicletas como meio de transporte. Rápido, limpo, saudável e muito barato.

É claro que eles tem a infra-estrutura necessária, mas pricipalmente são, em geral, um povo mais civilizado.

Veja três fotos que fiz em Amsterdãm:











Para ver mais fotos de Amsterdãm clique aqui.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Sobre Educação

Hoje recebi um texto sobre a educação no Brasil. Algum brasileiro indignado com a situação do nosso sistema de educação não conseguiu se calar. Ainda bem que existem pessoas assim. Infelizmente não sei quem é o autor do texto para dar-lhe os créditos. Ao ler esse texto, é impossível não pensar em diversos outros assuntos que estão em pauta com nossos governantes, como a aquisição de armamentos, os projetos "bolsa qualquer coisa" (algo parecido já foi utilizando há muito tempo lembra? A tal da política do pão e circo), apoio a ONGs de todos os tipos (as quais muitas vezes nem ao menos existem) e muitos outros.

Decidi então publicar esse desabafo (o texto que recebi) aqui no blog e fazer minha parte no sentindo de incentivar a discussão sobre o tema. Espero que vocês leitores reflitam sobre o assunto, tirem suas conclusões e lutem por uma educação de qualidade para todos os brasileiros. Não podemos esquecer que o ensino e a educação para todos é de extrema importância. Porém, tão importante quanto proporcionar isso a todos os brasileiros é permitir que todos tenham um ensino de qualidade e não sejam "semianalfabetos" que representam números nos relatórios do governo.

Aqui vai o texto na íntegra:

"Outro dia, folheando a revista Veja num consultório médico, li uma reportagem bastante interessante que mostrava, com estatísticas, que as crianças de origem asiática, que vivem no Brasil, apresentam um desempenho escolar superior ao dos estudantes brasileiros. O texto explicava que, nas classes onde elas são maioria, o silêncio e a atenção são uma constante. Ouve-se claramente  a voz do professor explicando a matéria. Dizia também que essas crianças dedicam nove horas diárias ao estudo (cinco na escola e quatro em casa) enquanto que as nossas, apenas cinco (as da escola).

Quando chegam em casa, essas crianças pegam seus cadernos, livros e estudam. Fazem os deveres de casa que o professor passa, lêem, treinam equações matemáticas etc. Enquanto os brasileirinhos, em sua  maioria, vagueiam pelas ruas empinando pipa ou jogando bola. Com isso, os asiáticos do nosso país estão conseguindo os melhores postos de trabalho (que são justamente aqueles que exigem maior qualificação e preparo) em empresas com ótima remuneração, assistência médico-hospitalar e condições de ascensão profissional.

E tudo isso me fez lembrar de uma menina brasileira que morava no Japão e veio visitar os parentes que ficaram aqui. A tia dela era Orientadora na escola onde lecionávamos. Certo dia estávamos em nossas classes, tentando dar aula e explicar a matéria para os alunos que, como sempre, só conversavam e brincavam de costas para a lousa ... enquanto  isso, a  tia, nossa orientadora, vagava com a garota pelos corredores da escola, procurando uma classe  mais calma, onde a sobrinha pudesse ficar resolvendo as questões de uma provinha de terceira série que ela (tia) havia preparado, para verificar o aproveitamento e a adaptação da menina na escola japonesa.

Mas a menina ficou aterrorizada com a gritaria dos nossos alunos e preferiu resolver a prova na Biblioteca, alegando que não conseguiria concentrar-se com aquela bagunça ... Perguntamos então o que acontecia, na escola dela, com os alunos que só queriam brincar, não estudavam e não respeitavam o professor em sala de aula. Ela disse que eles eram castigados. Perguntamos então qual era o tal castigo. E sabem o que ela respondeu?

Que não sabia, porque na classe dela nunca havia visto um aluno conversar durante as explicações ou desrespeitar seu professor .... Perceberam a diferença?

Nas escolas públicas, as salas de aula são superlotadas, com até 45 alunos por classe. Para esse auditório, o professor tem que ensinar:
- o conteúdo das disciplinas (Matemática, Português História, Geografia, Ciências) + cidadania + valores + educação sexual + higiene + saúde + ética + pluralidade cultural.

Deverá também funcionar como psicólogo, assistente social, orientador educacional e orientador pedagógico, desempenhando também todos os deveres familiares que a sociedade resolver transferir para a escola.

Nossos alunos dizem que as aulas são chatas e alegam que não gostam de ler, que ler não é divertido .... que jogar bola e empinar pipa é melhor... E todos logo gritam em coro:
- Culpa dos professores que não dão uma aula divertida e atraente para as crianças

O Governo, através das Secretarias Estaduais de Educação, surge em cena alegando que o aluno que temos é assim mesmo e que os professores precisam aprender a ensinar ... Rotula o magistério oficial como “professores nota zero”. O que eles querem esconder é que temos em classe crianças (filhos de eleitores) que recebem o livro didático, cadernos e até mochilas mas “esquecem” em casa para ficar brincando durante a aula ... Crianças que não fazem lição de casa, não estudam e nem sequer prestam atenção as explicações do professor em classe.

Para agradar os pais eleitores, a Secretaria da Educação encaminha os professores para cursos de “capacitação”, alegando que eles não têm mais capacidade para ensinar. Contratam firmas para dar esses cursos que segundo eles, tem o poder de transformar “profissionais  despreparados” em professores criativos, prontos para  dar uma aula eficaz, envolvente, estimulante  e, ao mesmo tempo, divertida, capaz de fazer com que os alunos gostem mais da escola do que das partidas de futebol, mais de leitura do que  dos jogos no computador .... É claro que esse discurso de responsabilizar o professor e varrer a sujeira pra baixo do tapete não vai levar a  Educação a lugar nenhum.
Mas serve perfeitamente para justificar, junto a opinião pública, os baixos salários pagos aos profissionais do Estado, principalmente  de São Paulo que mais arrecada impostos no País.

Imagine que você está doente, vai ao médico e ele prescreve determinado remédio. Você não toma o medicamento, não faz a sua parte e culpa o médico por não melhorar ... Assim acontece nas escolas públicas: o professor ensina e os alunos não prestam atenção, não estudam, não fazem os deveres de casa, como nossos amiguinhos asiáticos. Daí vem o governo e culpa o professor pelo mau desempenho dos “estudantes”.

Para justificar mais uma vez a falta de reajustes e os baixos salários o Governo implantou um sistema de avaliação. Os professores recebem um bônus por produtividade, uma vez por ano, se os alunos estudarem, se os alunos não faltarem, se os alunos não se evadirem, se os alunos ...

E, como o aluno não quer saber de nada, estamos sem reajustes salariais (uns 11 anos). Daí vemos o governador na TV dizendo que pagou seis mil reais de bônus aos professores. Só que se isso fosse averiguado direitinho, a verdade seria descoberta. Para se ter uma idéia, tem escolas onde nenhum professor recebeu bonificação porque... houve evasão, porque o aproveitamento dos alunos não se alterou, e assim por diante! Sem contar que, nesse sistema de bonificação por produtividade, os aposentados, por não terem mais alunos, são castigados e estão sem reajuste há anos (desde que se passou a avaliar professores pelo desempenho dos alunos...)

Ninguém quer sugerir aos eleitores a receitinha  das crianças asiáticas:
- fazer a lição de casa,
- estudar,
- empenhar-se,
- dedicar-se.
- Enfim, fazer sua parte!


A verdade é que o educador deixou de ser modelo para os jovens: ganhamos mal, nos vestimos mal e somos alvo constante da crítica social. Hoje, modelo para os jovens, são os milionários jogadores de futebol, pagodeiros e outros mais que prefiro nem relacionar aqui ...

Vamos combinar, não dá para falar em Educação de Qualidade enquanto o profissional da educação for sistematicamente desvalorizado, tratado  pelo governo, pelas famílias e pela mídia em geral como um inimigo público, um vagabundo etc. Nessas condições, que aluno vai querer ouvir o que uma pessoa assim tem a dizer?

Pedimos a todos que repassem esta mensagem para sua lista de contatos. Não temos voz na mídia e precisamos da internet para que a população saiba o que acontece nas escolas brasileiras."

Enquanto nós pagamos impostos que não são revertidos para os devidos fins como educação, saúde e segurança, nossos compatriotas do MST festeja e passeia por Paris. Não acredita em mim? Veja você mesmo:

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/11/26/mst-acampa-em-paris-244732.asp
http://www.vilammo.com/forum/index.php?showtopic=55585
http://polibiobraga.blogspot.com/2009/11/mst-como-os-bons-selvagens-de.html
http://twitpic.com/nli3l

E quem paga por essas festança? Nós, contribuíntes brasileiros da a classe média (seja lá qual for a faixa da classe média atualmente). Pagamos impostos em proporções injustas, e para que? Para que os "bonitos" do MST celebrem seus fabulosos 25 anos em Paris. Que maravilha!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Festa na chegada também

Cheguei, tomei café-da-manhã no aeroporto e fui ao meu antigo apartamento, no qual meu antigo quarto agora é ocupado por outro amigo.
Pensei em descansar para poder curtir a noitada paulistana com os amigos, mas não rolou. Ficamos de papo e organizando as atividades do dia como encontrar uma churrascaria, planejar a “Jam Session” e tudo mais.

Escolhemos uma churrascaria que fica do outro lado da cidade, e isso para São Paulo significa uma hora dirigindo quando o trânsito está bom. Para a nossa felicidade o trânsito estava bom :)

Comi muito. Na verdade só parei quando meu estômago deu sinal de jogar a tudo fora por falta de espaço. Fazia tanto tempo que não comia uma boa carne ....

Depois do almoço a famosa modorra. Ô vontade de dormir. Finalmente as 4 da tarde pensei em tirar uma pestana. Durou 15 minutos, pois tivemos que sair para comprar as bebidas para a “Jam Session”.

As 21:00 hs começou a bebedeira com muita música ao vivo no saguão do prédio do Jão. E eu? Eu a 62 horas sem dormir .... digo, com apenas 15 minutos de cochilo. Mas tudo bem, com cerveja e música fica fácil de agüentar.

Saímos para a tão esperada balada. O local: Diquinta em Sampa. Uma casa de samba-rock. Muito loco, bem divertido e alegre. Ritmo genuinamente brasileiro e muitas pessoas com suingue na veia. Ficamos até as 3:30 da madruga com direito a show de dança do Maikon e do Zappa. Mas enfim descobri que não sou de ferro e pedi para galera para irmos para casa.

Chegamos em Moema, pegamos minhas malas e os instrumentos musicais do Zappa e do Maikon e zarpamos para Campinas. Na estrada estava complicado, o sono e a fome apertando. Para chegar em Campinas a salvo o Zappa estava usando uma estratégia estranha mas que funcionou bem. Ele estava  batendo no próprio rosto para ficar acordado e não bater em outro carro.  Uma beleza. Mas enfim, as 7 da manhã em casa. Agora dá para dormir, né? Não! não dá mesmo. Tinha o workshop de samba na Unicamp. O Maikon me inscreveu em 3 das aulas, cada aula de uma hora e meia, e a primeira começou as 9:30 da madrugada!!!!!

Mas é claro que aproveitei as duas horas que tive para dormir, pois já se iam 72 horas com apenas um cochilo. As 9 estava de pé novamente e entre 9:30 e 10:00 lá estava eu na minha primeira aula de dança. Samba no pé mermão! Legal, deu para levar. Aprendi algumas coisas que espero me lembrar da próxima vez que sair com a galera.

As 4 da tarde eu morri. Joguei a toalha. Não agüentava mais ficar em pé e nem mesmo pensar. Fui para casa, mas ao invéz de dormir tive que arrumar as malas. É bom lembrar que o limite de bagagem em vôos comerciais aqui no Brasil, sem pagar excesso de bagagem é de 23 kilos apenas. Eu tinha aproximadamente 62 kg sem contar a bagagem de mão! Fiz o que pude para diminuir e deixar algumas coisas na casa do Maikon. Essa tarefa consumiu muito tempo e não consegui dormir.

As 21 hs o Maikon chegou para me levar ao aeroporto. Em cima do laço. Para ajudar, ele perdeu a entrada do aeroporto e acabamos chegando atrasados. Mas como estamos no Brasil, fila para o check-in, fila para pagamento do excesso de bagagem e vôo atrasado. Ê maravilha. Percebi que estava mesmo no Brasil.

Próximo passo foi esperar o vôo sem cair no sono, ir até Curitiba sem dormir, pois tinha que trocar de avião em Curitiba senão iria parar em Maringá e, então, esperar mais alguns minutos para chegar em Foz do Iguaçu. Quase lá!!!!

Consegui, não dormi e ainda aproveitei para ler uma revista muito legal da Gol. Super entretenimento. Vôo super agradável sem contar o show de aterrissagem do piloto da Gol, nunca vi algo tão ruim. Faz parte.

Cheguei as 2:30 da manhã em casa, meio morto meio vivo, mas cheguei e fui dormir apenas as 4. Foram apenas (aprox.) 92 horas sem dormir direito, mas com direito a 2 horas e 15 minutos de cochilos.

O esforço valeu muito a pena, pois foram duas despedidas com muita cerveja belga e Sambuca, rever os amigos, almoço especial na chegada, “Jam Session” com a galera, mais uma festa a noite paulistana, viagem para Campinas e até aula de samba. Quer mais que isso? Para fechar com chave de ouro, cheguei ao aeroporto e reencontrei minhas três mulheres: minha mãe, irmã e namorada!

Final feliz, cansado, mas muito feliz!