Mostrando postagens com marcador Belgas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Belgas. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Hoegaarden

hoegaarden_logo

Hoegaarden (pronúncia /whogarden/) é uma cerveja branca originária de uma pequenina cidade na Bélgica cujo nome é Hoegaarden. Criada pela cervejaria De Kluis que é atualmente parte da InBev.


Essa cerveja é produzida até hoje seguindo sua receita tradicional datada de 1445. Seus ingredientes são água, fermento, lúpulo, trigo,coriander e casca de laranja curaçao seca.  Sendo os dois últimos ingredientes os principais responsáveis pelo seu sabor característico cítrico e refrescante. A idéia de usar o trigo ao invés da cevada para a fabricação de cerveja veio dos monges que viviam na cidade de Hoegaarden.

Apesar da data da receita, a cervejaria Hoegaarden propriamente dita só começou existir em apenas 1966. Sua coloração pálida e turva é resultado da segunda etapa de fermentação que acontece na garrafa. O sucesso das cervejas de trigo foi tão grande que fez surgir diversas pequenas cervejarias na região. No entanto as mesmas não resistiram a competição com as grandes cervejarias e aos problemas das Guerras Mundiais. AHoegaarden, por exemplo, fechou as portas em 1957.

Para a nossa felicidade, 9 anos mais tarde um camarada chamado Pierre Celis, de profissão leiteiro, resolveu reerguer a fábrica e trazer novamente ao mercado essa grande cerveja. Recebeu ajuda financeira de seu pai e técnica de um mestre cervejeiro veterano para a criação da cervejaria The Cloister. O sucesso foi imediato.

Agora o que devemos fazer é brindar ao Sr. Pierre Celis.
Descrição Comercial


A Hoegaarden contém ingredientes especiais como sementes de coriander, uma especiaria originária da Ásia e norte da África, e raspas de casca de laranja, o que lhe confere alta refrescância e drinkability. Combina bem com saladas, peixes, mexilhões, defumados e queijos de consistência semi-dura  Produzida na pequena vila de Hoegaarden, no norte da Bélgica, esta é uma autêntica cerveja de trigo belga, também conhecida como White Beer. A Hoegaarden possui um processo de fabricação único e complexo e, por isso, é virtualmente diferente de qualquer outra cerveja no mundo. A primeira etapa é um processo de alta fermentação. Depois, a cerveja é engarrafada sem pasteurização e permanece em repouso por mais três semanas para que aconteça a re-fermentação dentro da garrafa. A aparência final é de uma cor amarelo ouro e opaco típico das cervejas de trigo belgas.
Minha impressão sobre a Hoegaarden:



hoegaarden2 
Local onde provei: em casa, Canterbury, Kent, UK.
Data: 15 de março de 2009
Cervejaria     Brouwerij Hoegaarden
Estilo     Witbier
Álcool (%)     4.9% ABV

Ingredientes     água, fermento, lúpulo, trigo, coriander e casca de laranja curaçao seca
Site     http://www.hoegaarden.com
Temperatura     2-3°C  de acordo com o rótulo
Copo ideal     Tumbler

notas: [final 3,7]

aroma [1-10]: 6 -> malte de trigo se sobressai, com algumas notas fracas de caramelo ao final. Ainda não consigo identificar muito bem os aromas presentes, mas sinto que existe algo cítrico. Apesar de que a receita diz ter casca de laranja não consigo identificar exatamente isso, muito menos as especiarias.

aparência[1-5]: 4 -> a garrafa por si é convidativa. Formato cheio de curvas, rótulo discreto mas com grande contraste com a cor da garrafa. Deixa bem evidente o nome da cerveja e as letras tem estilo imponente. O logotipo e o nome da cerveja são apresentados em alto relevo na garrafa, o que mostra o  cuidado da cervejaria em não usar qualquer garrafa. Quando colocada no copo ela também te convida a bebê-la. Coloração dourada com média intensidade e fosca, com poucas partículas suspensas, textura leve e fluída, creme branco mas não persistente apesar de não ser típico das Weissbier, mas característico da Hoegaarden, mas também influenciado pelo copo. Muito bonita.

sabor[1-20]: 16-> sabor inicial ácido, pouco doce e bastante cítrico talvez maçã verde ou pomelo, sinto especiarias também mas ainda não tenho paladar tão aguçado para identificar que tipo. Ela é bastante refrescante. O sabor final também é ácido porém mais fraco, suave mas com um pouco de amargor devido ao lúpulo. Com relação ao retrogosto , o sabor de especiarias é evidenciado e a acidez diminui, mas ainda assim acredito que se a acidez fosse menor o sabor seria mais harmônico.

sensação[1-5] 4->: textura e corpo muito leves. O álcool é presente mas numa boa intensidade e a carbonação na medida. Desce muito fácil. Uma excelente opção para matar a sede.

conjunto[1-10] 7 ->: recomendo para momentos que exigem uma cerveja leve, refrescante e cheia de sabor. Essa é uma excelente Witbier.

terça-feira, 3 de março de 2009

Duvel, a rainha dourada

No Brasil, assim como em muitos outros países, é muito comum o consumo de cervejas. No entanto, diferentemente de outros países como Alemanha, Inglaterra, República Tcheca e Bélgica, não temos muitas variedades de cervejas. Foi isso mesmo que quis dizer, não temos muitas variedades de cervejas, temos sim muitas marcas distintas, mas em geralsão da mesma categoria: Pilsen.


http://www.stellaartois.com/

Há algum tempo comecei a apreciar cervejas e ler algo a respeito. Desde então encontri várias referências sobre cervejas Belgas, sempre muito bem avaliadas e muito desejadas. Porém, para mim, era difícil experimentá-las uma vez que são difíceis de encontrar no Brasil (principalmente em Foz do Iguaçu ou outras cidades pequenas). Nas vezes que as encontrei em supermercados, não tive coragem (entenda dinheiro) para comprar, pois o valor de uma garrafa pequena com cerca de 500 ml custa entre R$ 25,00 e R$ 30,00. Obviamente existem opções mais acessíveis, como a Stella Artois (pronúncia: /ˈstɛlə ɑrˈtwɑː/) que é muito boa na minha opinião, considerando a categoria na qual ela é classificada: Pilsen lager.

Deixando as exceções de lado, o objetivo desse post é inaugurar uma série que vai descrever minhas impressões e um pouco da história das grandes cervejas Belgas que eu tiver oportunidade de conhecer. Para começar, vamos considerar uma cerveja que define a categoria Strong Golden Ale na Bélgica: a Duvel.






duvel1

Eu poderia dizer que a Duvel é uma cerveja Belga que passa por três etapas de fermentação, com 8,5% de teor alcoólico, de coloração dourada, suave e com sabor um tanto quanto complexo. Mas se eu fizesse isso estaria desmerecendo essa preciosidade, ignorando o impacto histórico e as influências que essa cerveja causou na produção Belga e, posteriormente, na mundial.
Nesse sentido, acredito que seja importante relembrar alguns fatos e momentos marcantes da sua história.
Em 1871 Jan-Leonard Moortgat fundou a Cervejaria Moortgat em Puurs, uma pequena cidade entre Bruxelas e Antwerpen. Então, deu início à produção de cervejas que eram vendidas para fazendeiros da vizinhança ou tavernas locais. Em 1880, seus dois filhos Albert e Victor se inserem nos negócios da família, sendo que Albert torna-se um dos mestres cervejeiros.
Após alguns anos, deu-se início a primeira Guerra Mundial (1914). Esse é um fato importante para o nascimento da Duvel, pois durante a guerra muitos soldados britânicos montaram acampamento na Bélgica, e com esses soldados vieram as tão comuns cervejas britânicas "Ales". Influenciado pela popularidade desse estilo de cerveja, Albert decidiu criar uma cerveja semelhante. Para isso foram necessários alguns anos de formulação e experimentação, quando finalmente em 1923 surgiu a "Victory Ale". Esse nome foi escolhido como tributo aos soldados britânicos e norte americanos que lutaram contra a Alemanha na primeira Guerra Mundial.
Apesar da boa intenção, esse nome não foi forte o suficiente para resistir ao comentário de um dos trabalhadores da cervejaria, comentário esse que deu origem ao nome Duvel. Em uma degustação, um dos trabalhadores presentes descreveu a cerveja como "Da's nen echten duvel" (inglês: "Damn, that's a devil of a beer") que poderíamos traduzir como: "Caramba, que cerveja do demônio". A partir desse momento a cerveja passou a ser chamada de Duvel.

duvel_glass

Mas o que há de tão especial nessa cerveja? Um dos segredos está na escolha e mistura dos ingredientes:
Fermento: o fermento sempre tem um papel importantíssimo para a formação do sabor final da cerveja. Para chegar ao fermento ideal, a cervejaria contou com a ajuda de um cientista cervejeiro chamado Jean De Clerck o qual,em 1919,  adaptou e reformulou uma espécie de fermento derivada de um fermento escocês chamado McEwan. Desde então, esse mesmo fermento tem sido utilizado na fabricação da Duvel.
Lúpulo: para ser preciso, na fabricação da Duvel são utilizados dois tipos de lúpulo, o Saaz e o Styrian. O primeiro, de origem Tcheca, é responsável pelo sabor levemente apimentado e é utilizado na fabricação das grandes Pilsens. O segundo, de origem Eslovaca, é muito procurado e também muito raro, contribui para um aroma mais temperado e amargo além de atribuir sabor relativamente floral e delicado. Essa mistura resulta em uma tremenda complexidade em termos de aroma e sabor, característica marcante da Duvel.
Cevada: motivado pela demanda por cervejas Pale (clara), a partir de 1970, Albert Moortgat decidiu utilizar uma cevada de origem francesa (região de Beauce Gatinais), mais clara que a cevada originalmente utilizada. Como resultado da mudança, a Duvel passou a ser tão clara quanto uma cerveja Pilsen, mas com o sabor marcante de uma Ale.
Dados técnicos à parte, eu devo dizer que fiquei muito feliz por ter apreciado essa cerveja. E para ser sincero não vejo a hora de voltar ao pub para tomar mais algumas. Definitivamente, a Duvel é uma das melhores cervejas Ale que já experimentei. Se tiverem oportunidade, bebam!
Quem quiser dados mais precisos e mais detalhados a respeito dessa cerveja deve visitar o site oficial http://www.duvel.be
Vale lembrar que nesse post eu apresento apenas algumas informações a respeito dessa cerveja, mas que não sou nenhum expert no assunto, apenas aprecio o sabor das boas Belgas.