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segunda-feira, 15 de junho de 2009

Copos & copos

Quem gosta de cerveja de verdade e não bebe apenas por beber ou pelo fator social, característica marcante dessa bebida, sabe que existem diferentes tipos de copos para cerveja, e que cada copo realça uma determinada característica, usualmente relacionada ao aroma e sabor da cerveja. Pensando nisso vou dar umas dicas aos meus caros leitores para que vocês possam apreciar todo o potencial das cervejas que bebem.
E caso vocês não acreditem muito nessa coisa de copo influenciar o sabor ou aroma da cerveja, façam um teste. Pode ser difícil notar as diferenças no começo, mas é apenas uma questão de treino. Outro detalhe interessante dos copos é a apresentação. Sabe aquela coisa de cartão de visitas? Ser apresentável? Se vestir bem para conquistar aquela gatinha, ou no caso das mulheres, vestir-se bem e fazer uma bela maquiagem para ofuscar a beleza das outras? Então, isso se aplica para as cervejas também. Quando é utilizado o tipo certo de corpo para a cerveja escolhida, além do aroma e sabor, o primeiro olhar também é influenciado. Isso porque o formato do corpo além de deixá-la mais atraente, afeta diretamente no tempo de persistência do creme (popularmente chamado de espuma).
Pelo que sei essa história toda de copos começou na Bélgica, onde cada cervejaria produzia os copos específicos para as suas cervejas, de modo que suas características fosse realçadas e que sua marca/imagem fossem divulgadas. Mas temos que concordar que uma cerveja bem apresentada faz muita diferença no momento da degustação.
Já o aroma é uma das principais características da cerveja, e para mim a mais difícil de identificar. No momento em que os copos são desenhados ou projetados, consideram-se os aromas para que, segundo o fabricante, o formato do copo ajude a realçar o bouquet da cerveja. Com isso, nós apreciadores ganhamos muito mais sabor e prazer ao degustar uma cerveja.
Vejamos os tipos mais comuns de copos e algumas anotações:
white_board3
  • Copo para cerveja Pilsner, como o próprio nome indica, é ideal para as cervejas dos tipo Pilsner, as mais comumente encontradas no Brasil (Skol, Antártica, Kaiser e tantas outras).
  • Copo para cerveja Lager usualmente utilizado para o chope. Muito conhecido no Brasil como tulipa. No entanto, não confunda esse tipo de copo com o tulipa. Veja abaixo.
  • Copo caldereta, comumente usado para servir chope em algumas cervejarias, mas pode ser utilizado também para English e American Ales ou para algumas Lagers escuras. Seu tamanho possibilita servir um volume pouco acima de 300 ml.
  • Pint, também chamado de Becker, é o copo mais comum em pubs ingleses e irlandeses, pois é simples, barato e comporta um grande quantidade de cerveja (568.26 ml). Ideal para as cervejas do tipo Bitter e Stouts.
  • Copo tipo Weizen, mais um que o nome já diz muito. É ideal para cervejas do tipo Weiss, as de trigo (veja o post sobre esse estilo de cerveja), especialmente as alemãs. O tamanho e formato são interessantes pois facilitam a "pegada" e possibilitam que todo o conteúdo de garrafas de 500ml sejam colocados no copo, incluindo o fundo com as leveduras, e ainda sobra espaço para a espuma, como manda a tradição do estilo.
  • Copo de cerveja tipo Tulipa é ideal para cervejas que possuem bastante creme, como a Duvel e outras Strong Ales belgas. O desenho é baixo e elegante, permitindo também observar a evolução do creme. A Tulipa parece mais com uma taça de conhaque, porém com a boca do copo virada para fora.
  • Cálice para cervejas Trapistas. Na Bélgica é chamado de Goblet, e foi idealizado para saborear as grandes trapistas belgas. Também podem ser usados com os estilos Dubbel, Tripel e Quadrupel.
  • Copo de cerveja tipo Flauta para cervejas Lambic. Mais usados para beber espumantes e champanhes, mas são ideais para cervejas do tipo Faro, Lambic, Gueuze ou as champegnoises, como a belga Deus e a brasileira Lust. O fato de serem esguios possibilita que o creme demore mais para se dissipar.
  • Copo de cerveja tipo Caneca, ou melhor, o velho e bom canecão de chope.
  • Copo de cerveja tipo Mass, que é uma caneca muito usada na Alemanha. É o típico canecão alemão no qual você pode colocar até 1 litro de cerveja. Ideal para quem bebe rápido ou não se importa com a temperatura da cerveja.
  • Copo de cerveja tipo Yard. Esse é um dos copos mais estranhos. Conheci quando um amigo pediu por uma cerveja Kwak num restaurante aqui em Caterbury. Apesar de estranho a idéia é interessante pois não há contato da mão com o copo, o que faz com que a cerveja permaneça mais tempo na temperatura ideal.
  • As taças não estão ligadas a nenhum estilo em específico, mas são cada dia mais usados com cerveja, seja pela elegância que confere, seja pela ergonomia que oferecem.
  • O Tumbler é geralmente utilizado para beber cervejas tipo Witbier, com o a Hoegaarden. Estas cervejas não formam muito creme e por isso o copo não precisa ter uma boa curvatura ou a boca fechada.
  • Os copos cilíndricos normalmente são usados para cervejas Kölsh e Altbier.
  • Copos de Conhaque têm sido utilizado com as Barley Wines, Eisbock e Imperial Stouts (cervejas fortes). São ótimos para capturar os aromas, permitindo agitar a cerveja em movimentos rotativos leves.
Encontrei uma figura no site da Duvel onde são apresentados alguns tipos de copos relacionados com os seus respectivos tipos de cervejas. Nesse caso são consideradas as cervejas belgas:
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segunda-feira, 4 de maio de 2009

A representante Irlandesa

guinness-logo
Em 24 de abril deste ano a Guinness completou seus 250 anos. Tudo começou com um sujeito chamado Arthur Guinness numa cervejaria localizada em St. James's Gate em Dublin, capital da República da Irlanda. 'Raise a glass to the memory of Arthur Guinness!' essa é uma frase muito comum em Dublin, pois toda vez que alguém fala sobre Guinness outro alguem a grita, o que significa, grosso modo, faça um brinde a Arthur Guinness.
Arthur Guinness começou a fabricar a tão famosa cerveja em Leixlip. Em 1759 transferiu a cervejaria para o local atual, St. James's Gate, e em 31 de dezembro do mesmo ano assinou um contrato para uso desse local por até 9000 anos a um valor de £45 por ano. Dez anos mais tarde, em 1789, as exportações começaram, sendo a primeira remessa (6,5 barris) enviada para a Inglaterra.
A Guinness, apesar de ser classificada como Stout, foi baseada em outro estilo: Porter. O motivo dessa confusão é porque o nome Stout surgiu de uma diminuição do nome "Stout Porter", usado para classificar as Porters mais fortes. A Porter é uma cerveja mais suave que sua parente Stout, normalmente com 1 a 2% a menos de álcool. São cervejas escuras e típicas da Inglaterra, originárias em Londres no princípio do século 18. As Stouts por sua vez, são cervejas negras opacas, dotadas de forte sabor de chocolate, café e malte torrado, e usualmente com pouca carbonação. Uma representante dessa categoria no Brasil é a Caracu (não provei ainda a Caracu, então não posso opinar sobre a mesma).
Composição das Guinness': água, malte, cevada, lúpulo e fermento.
A característica mais marcante da Guinness é seu sabor "tostado", derivado do processo de torrefação da cevada. O colarinho ou creme é também marcante, principalmente na Draught que contém uma misturada a nitrogênio e dióxido de carbono. Essa mistura resulta em um creme único e complexo. Com essa composição é possível colocá-la em alta pressão sem que a cerveja "borbulhe" ou aconteça o "efeito efervescente". A textura cremosa dessa Guinness Draught é resultado dessa mistura, com baixos níveis de dióxido de carbono e presença do nitrogênio, o qual também contribui para a formação do colarinho extremamente cremoso devido as bolhas minúsculas. Já a Extra Stout não contém nitrogênio, o que a deixa mais ácida e menos cremosa que a Draught.
Quanto a coloração, usualmente as pessoas descrevem as Guinness como sendo cerveja preta. No entanto, apensa de parecer preta, oficialmente ela é descrita como rubi muito escuro. Coloque contra uma fonte de luz forte e veja se é verdade :)
Existe um ritual para servir um "perfect pint of Draught Guinness" e toda uma história relacionada a esse ritual. De acordo com a fabricante da cerveja o ritual leva 119,53 segundos e é realizado em duas etapas. Primeiro serve-se até pouco mais da metade do copo, espera-se alguns segundos para formar o creme e, então, completa-se a pint. Mesmo após esses segundos esperando o creme ainda não está completo e as bolhas estão em frenesi. Essa cerveja deve ser servida a 6°C. Outro detalhe importante é o copo que deve ser em "forma de tulipa" mas não exatamente uma tulipa (Veja a figura).
Minha avaliação: provei duas Guinness diferentes quando fui a Dublin na semana passada e para variar acabei fazendo algumas anotações sobre elas. Aí vão minhas impressões sobre elas.
GUINNESS DRAUGHT
beer_photo_draught_pint1Local onde provei: Guinness Storehouse, St. James Gate em Dublin, República da Irlanda.
Data: 02 de maio de 2009.
Cervejaria St. James’s Gate
Grupo Diageo
Estilo Dry Stout
Álcool (%) 4,1% ABV
Sazonal Não é sazonal
Ativa: SIM
Temperatura 6 °C
Copo ideal Pint
notas: [final] 3,5
aparência [1-5]: (5) quando o garçom lhe apresenta uma pint de Guinness Draught ainda formando o creme não dá para resistir. É difícil segurar a baba. O copo (pint) é estilizado é muito bonito. Mas o detalhe que a deixa mais atraente é alta carbonação e a presença do nitrogênio, quando a pint chega a sua frente a carbonação está ativa, "com bolhas descendo" e completando o colarinho. Diferente mas é isso mesmo. O que se vê são bolhas descendo e não subindo. Tente descobrir porque. O contraste da cerveja "preta" com o creme bege e o gradiente da carbonação a deixa ainda mais atrativa.
aroma [1-10]: (7) não muito diferente dos outros tipos de Guinness. O malte torrado se sobressai mas as notas de caramelo também estão mais presentes que na Extra Stout.
sabor[1-20]: (14) início adocicado com notas de caramelo e final marcado pelo sabor do malte torrado, mas em menos intensidade que a Extra Stout. Amargor persistente mas com intensidade mediana. Possui acidez baixa, presença de álcool na medida certa e carbonação altíssima, o que a deixa de certo modo refrescante.
sensação[1-5]: (3) corpo médio e refrescante.
conjunto[1-10]: (6) uma cerveja relativamente equilibrada. Mas o aspecto que a deixa mais atraente impacta também no sabor tornando-a mais leve do que deveria ao meu ver. A carbonação poderia ser menos intensa.
GUINNESS EXTRA STOUT
dscn9627-1Local onde provei: Guinness Storehouse, St. James Gate em Dublin, República da Irlanda.
Data: 02 de maio de 2009.
Cervejaria St. James’s Gate
Grupo Diageo
Estilo Extra Stout
Álcool (%) 4,2% ABV
Sazonal Não é sazonal
Ativa: SIM
Temperatura 8-12 °C VER GUIA
Copo ideal Pint
notas: [final] 3,5
aparência [1-5]: (4) a garrafa dessa cerveja não tem um design muito diferente de outras cervejas mais simples e de longe apresenta curvas como a Hoegaarden. No entanto, o contraste de cores da garrafa com o rótulo e seu formato simples e austero, a torna muito elegante e convidativa. São poucos os detalhes na garrafa, talvez os mais marcantes sejam a assinatura em alto relevo na garrafa e o o desenho de uma harpa, objeto símbolo da República da Irlanda, no rótulo. Creme levemente castanho, pouco denso e não pouco persistente. Quanto a cor, muito escura aproximando ao preto como é característica da categoria.
aroma [1-10]: (6) o malte torrado se sobressai a todos os outros aromas. No entanto notas de caramelo estão presentes.
sabor[1-20]: (15) início adocicado com notas de caramelo e final marcado pelo sabor do malte torrado. Amargor persistente e muito marcante. Excelente ao meu ver. Possui acidez baixa, presença de álcool na medida certa e carbonação média-baixa.
sensação[1-5] (3) : corpo forte, marcante, cheio de vigor e virtude. Harmoniza bem com pratos bem temperados ou carne. Mesmo tendo um forte e persistente amargor também desce fácil.
conjunto[1-10] (7): Em termos de sabor e aroma a Guinness Extra Stout é relativamente equilibrada, mas com destaque ao malte torrado. Dentro do contexto e proposta do fabricante é uma excelente cerveja.

O estilo Weissbier

Um pouco de informação sobre o estilo Weissbier (Weizenbier, Wheat Beer ou Cerveja de Trigo)
texto copiado na íntegra do site http://www.brejas.com.br/cerveja.shtml. Acessem o site para mais informações sobre outros tipos de cervejas e assuntos relacionados.

Produzida principalmente pelas grande cervejarias alemãs como HB, Paulaner, Erdinger, Franziskaner e Weihenstephan, é uma cerveja feita a base de trigo e característica do sul da Alemanha, região da Baviera. São cervejas claras e opacas, onde sobressai o trigo com o qual foram produzidas, bem como sabores frutados (banana e maça), cravo e florais. Bastante refrescantes e de graduação alcoólica moderada (entre 5 e 6%), são opacas e normalmente não filtradas. Produzem, em geral, um creme denso e persistente. Aqui no Brasil a Bohemia fabrica sua versão, chamada Bohemia Weiss.

As variedades possíveis são:

  • Hefeweizen, de cor amarelada-marrom opaca, pois a levedura não é filtrada. Erdinger Hefeweizen é a mais conhecida aqui no Brasil.

  • Kristallweizen, de cor clara e transparente, leve na degustação. Normalmente é filtrada, não tendo adição de levedura diretamente na garrafa. Um exemplo é a Franziskaner Weissbier Kristallklar

  • Dunkelweizen ou Hefeweissbier dunkel, cerveja de trigo escura, de gosto mais forte. A Erdinger tem sua versão, aquela com rótulo preto.

  • Weizenstarckbier ou Weizenbock, cerveja tipo bock com uma graduação alcoólica entre 5% e 12%. Exemplo é a Aventinus, feita pela G. Schneider & Sohn.

  • Berliner Weisse ou Berlin White (cerveja branca berlinense), de graduação alcoólica entre 2 e 4% e de cor amarelada e opaca. Por ser levemente azeda, é comum adicionarem xaropes doces de frutas.

  • Witbier (Belgian White), esbranquiçadas devido às leveduras e ao trigo suspenso (daí o nome). Possui um toque cítrico de laranja, já que a casca da fruta é usada como complemento ao lúpulo. Também leva "coriander", conhecido por nós como coentro. A marca mais representativa é a Hoegaarden, além da Unibroue Blanche de Chambly.

  • Bière Blanche ou Blanche: apenas o nome em francês para as cervejas de trigo.

  • Russ, cerveja de trigo com acréscimo de suco de limão (Zitronenlimonade), assim como ocorre com a Radler.


Hoegaarden

hoegaarden_logo

Hoegaarden (pronúncia /whogarden/) é uma cerveja branca originária de uma pequenina cidade na Bélgica cujo nome é Hoegaarden. Criada pela cervejaria De Kluis que é atualmente parte da InBev.


Essa cerveja é produzida até hoje seguindo sua receita tradicional datada de 1445. Seus ingredientes são água, fermento, lúpulo, trigo,coriander e casca de laranja curaçao seca.  Sendo os dois últimos ingredientes os principais responsáveis pelo seu sabor característico cítrico e refrescante. A idéia de usar o trigo ao invés da cevada para a fabricação de cerveja veio dos monges que viviam na cidade de Hoegaarden.

Apesar da data da receita, a cervejaria Hoegaarden propriamente dita só começou existir em apenas 1966. Sua coloração pálida e turva é resultado da segunda etapa de fermentação que acontece na garrafa. O sucesso das cervejas de trigo foi tão grande que fez surgir diversas pequenas cervejarias na região. No entanto as mesmas não resistiram a competição com as grandes cervejarias e aos problemas das Guerras Mundiais. AHoegaarden, por exemplo, fechou as portas em 1957.

Para a nossa felicidade, 9 anos mais tarde um camarada chamado Pierre Celis, de profissão leiteiro, resolveu reerguer a fábrica e trazer novamente ao mercado essa grande cerveja. Recebeu ajuda financeira de seu pai e técnica de um mestre cervejeiro veterano para a criação da cervejaria The Cloister. O sucesso foi imediato.

Agora o que devemos fazer é brindar ao Sr. Pierre Celis.
Descrição Comercial


A Hoegaarden contém ingredientes especiais como sementes de coriander, uma especiaria originária da Ásia e norte da África, e raspas de casca de laranja, o que lhe confere alta refrescância e drinkability. Combina bem com saladas, peixes, mexilhões, defumados e queijos de consistência semi-dura  Produzida na pequena vila de Hoegaarden, no norte da Bélgica, esta é uma autêntica cerveja de trigo belga, também conhecida como White Beer. A Hoegaarden possui um processo de fabricação único e complexo e, por isso, é virtualmente diferente de qualquer outra cerveja no mundo. A primeira etapa é um processo de alta fermentação. Depois, a cerveja é engarrafada sem pasteurização e permanece em repouso por mais três semanas para que aconteça a re-fermentação dentro da garrafa. A aparência final é de uma cor amarelo ouro e opaco típico das cervejas de trigo belgas.
Minha impressão sobre a Hoegaarden:



hoegaarden2 
Local onde provei: em casa, Canterbury, Kent, UK.
Data: 15 de março de 2009
Cervejaria     Brouwerij Hoegaarden
Estilo     Witbier
Álcool (%)     4.9% ABV

Ingredientes     água, fermento, lúpulo, trigo, coriander e casca de laranja curaçao seca
Site     http://www.hoegaarden.com
Temperatura     2-3°C  de acordo com o rótulo
Copo ideal     Tumbler

notas: [final 3,7]

aroma [1-10]: 6 -> malte de trigo se sobressai, com algumas notas fracas de caramelo ao final. Ainda não consigo identificar muito bem os aromas presentes, mas sinto que existe algo cítrico. Apesar de que a receita diz ter casca de laranja não consigo identificar exatamente isso, muito menos as especiarias.

aparência[1-5]: 4 -> a garrafa por si é convidativa. Formato cheio de curvas, rótulo discreto mas com grande contraste com a cor da garrafa. Deixa bem evidente o nome da cerveja e as letras tem estilo imponente. O logotipo e o nome da cerveja são apresentados em alto relevo na garrafa, o que mostra o  cuidado da cervejaria em não usar qualquer garrafa. Quando colocada no copo ela também te convida a bebê-la. Coloração dourada com média intensidade e fosca, com poucas partículas suspensas, textura leve e fluída, creme branco mas não persistente apesar de não ser típico das Weissbier, mas característico da Hoegaarden, mas também influenciado pelo copo. Muito bonita.

sabor[1-20]: 16-> sabor inicial ácido, pouco doce e bastante cítrico talvez maçã verde ou pomelo, sinto especiarias também mas ainda não tenho paladar tão aguçado para identificar que tipo. Ela é bastante refrescante. O sabor final também é ácido porém mais fraco, suave mas com um pouco de amargor devido ao lúpulo. Com relação ao retrogosto , o sabor de especiarias é evidenciado e a acidez diminui, mas ainda assim acredito que se a acidez fosse menor o sabor seria mais harmônico.

sensação[1-5] 4->: textura e corpo muito leves. O álcool é presente mas numa boa intensidade e a carbonação na medida. Desce muito fácil. Uma excelente opção para matar a sede.

conjunto[1-10] 7 ->: recomendo para momentos que exigem uma cerveja leve, refrescante e cheia de sabor. Essa é uma excelente Witbier.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

E as cervejas?

Vocês devem estar pensando que eu parei de beber cerveja já que não tenho mais escrito sobre elas, não é?
Para a minha felicidade isso não aconteceu. Não estou escrendo mais devido as minhas restrições de tempo, mas vou dar um jeito nisso logo logo.
O meu problema agora para atualizar as informações é que eu parei de escrever mas não parei de beber. O que isso quer dizer? Que tenho várias cervejas para descrever!!!!

Vejam:

cervas

terça-feira, 3 de março de 2009

Duvel, a rainha dourada

No Brasil, assim como em muitos outros países, é muito comum o consumo de cervejas. No entanto, diferentemente de outros países como Alemanha, Inglaterra, República Tcheca e Bélgica, não temos muitas variedades de cervejas. Foi isso mesmo que quis dizer, não temos muitas variedades de cervejas, temos sim muitas marcas distintas, mas em geralsão da mesma categoria: Pilsen.


http://www.stellaartois.com/

Há algum tempo comecei a apreciar cervejas e ler algo a respeito. Desde então encontri várias referências sobre cervejas Belgas, sempre muito bem avaliadas e muito desejadas. Porém, para mim, era difícil experimentá-las uma vez que são difíceis de encontrar no Brasil (principalmente em Foz do Iguaçu ou outras cidades pequenas). Nas vezes que as encontrei em supermercados, não tive coragem (entenda dinheiro) para comprar, pois o valor de uma garrafa pequena com cerca de 500 ml custa entre R$ 25,00 e R$ 30,00. Obviamente existem opções mais acessíveis, como a Stella Artois (pronúncia: /ˈstɛlə ɑrˈtwɑː/) que é muito boa na minha opinião, considerando a categoria na qual ela é classificada: Pilsen lager.

Deixando as exceções de lado, o objetivo desse post é inaugurar uma série que vai descrever minhas impressões e um pouco da história das grandes cervejas Belgas que eu tiver oportunidade de conhecer. Para começar, vamos considerar uma cerveja que define a categoria Strong Golden Ale na Bélgica: a Duvel.






duvel1

Eu poderia dizer que a Duvel é uma cerveja Belga que passa por três etapas de fermentação, com 8,5% de teor alcoólico, de coloração dourada, suave e com sabor um tanto quanto complexo. Mas se eu fizesse isso estaria desmerecendo essa preciosidade, ignorando o impacto histórico e as influências que essa cerveja causou na produção Belga e, posteriormente, na mundial.
Nesse sentido, acredito que seja importante relembrar alguns fatos e momentos marcantes da sua história.
Em 1871 Jan-Leonard Moortgat fundou a Cervejaria Moortgat em Puurs, uma pequena cidade entre Bruxelas e Antwerpen. Então, deu início à produção de cervejas que eram vendidas para fazendeiros da vizinhança ou tavernas locais. Em 1880, seus dois filhos Albert e Victor se inserem nos negócios da família, sendo que Albert torna-se um dos mestres cervejeiros.
Após alguns anos, deu-se início a primeira Guerra Mundial (1914). Esse é um fato importante para o nascimento da Duvel, pois durante a guerra muitos soldados britânicos montaram acampamento na Bélgica, e com esses soldados vieram as tão comuns cervejas britânicas "Ales". Influenciado pela popularidade desse estilo de cerveja, Albert decidiu criar uma cerveja semelhante. Para isso foram necessários alguns anos de formulação e experimentação, quando finalmente em 1923 surgiu a "Victory Ale". Esse nome foi escolhido como tributo aos soldados britânicos e norte americanos que lutaram contra a Alemanha na primeira Guerra Mundial.
Apesar da boa intenção, esse nome não foi forte o suficiente para resistir ao comentário de um dos trabalhadores da cervejaria, comentário esse que deu origem ao nome Duvel. Em uma degustação, um dos trabalhadores presentes descreveu a cerveja como "Da's nen echten duvel" (inglês: "Damn, that's a devil of a beer") que poderíamos traduzir como: "Caramba, que cerveja do demônio". A partir desse momento a cerveja passou a ser chamada de Duvel.

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Mas o que há de tão especial nessa cerveja? Um dos segredos está na escolha e mistura dos ingredientes:
Fermento: o fermento sempre tem um papel importantíssimo para a formação do sabor final da cerveja. Para chegar ao fermento ideal, a cervejaria contou com a ajuda de um cientista cervejeiro chamado Jean De Clerck o qual,em 1919,  adaptou e reformulou uma espécie de fermento derivada de um fermento escocês chamado McEwan. Desde então, esse mesmo fermento tem sido utilizado na fabricação da Duvel.
Lúpulo: para ser preciso, na fabricação da Duvel são utilizados dois tipos de lúpulo, o Saaz e o Styrian. O primeiro, de origem Tcheca, é responsável pelo sabor levemente apimentado e é utilizado na fabricação das grandes Pilsens. O segundo, de origem Eslovaca, é muito procurado e também muito raro, contribui para um aroma mais temperado e amargo além de atribuir sabor relativamente floral e delicado. Essa mistura resulta em uma tremenda complexidade em termos de aroma e sabor, característica marcante da Duvel.
Cevada: motivado pela demanda por cervejas Pale (clara), a partir de 1970, Albert Moortgat decidiu utilizar uma cevada de origem francesa (região de Beauce Gatinais), mais clara que a cevada originalmente utilizada. Como resultado da mudança, a Duvel passou a ser tão clara quanto uma cerveja Pilsen, mas com o sabor marcante de uma Ale.
Dados técnicos à parte, eu devo dizer que fiquei muito feliz por ter apreciado essa cerveja. E para ser sincero não vejo a hora de voltar ao pub para tomar mais algumas. Definitivamente, a Duvel é uma das melhores cervejas Ale que já experimentei. Se tiverem oportunidade, bebam!
Quem quiser dados mais precisos e mais detalhados a respeito dessa cerveja deve visitar o site oficial http://www.duvel.be
Vale lembrar que nesse post eu apresento apenas algumas informações a respeito dessa cerveja, mas que não sou nenhum expert no assunto, apenas aprecio o sabor das boas Belgas.



sábado, 28 de fevereiro de 2009

Você compraria uma cerveja japonesa?

Olá caros amigos que acompanham um pouco da minha vida por meio desse blog. No post de hoje pretendo comentar dois assuntos distintos. O primeiro é a minha impressão sobre uma cerveja japonesa que tive a oportunidade de provar e, o segundo, como não poderia deixar de ser, algo diferente que acontece aqui e não no Brasil.

Quando estava morando em São Paulo tive oportunidade de conhecer algumas cervejas diferentes, dentre elas algumas belgas, uruguaias, alemãs, inglesas e por aí vai. Sempre que ia ao super-mercado eu me deparava com uma tal de Seporo Beer (figura abaixo). Mas nunca fui corajoso o suficiente para comprar uma e experimentar. Isso por duas razões: valor e tradição. Vou explicar.

http://www.sapporousa.com

Uma cerveja boa (na minha opinião) e conhecida por mim custava em média uns R$ 8,00, mas podia variar de R$ 3,00 até uns R$ 12,00 enquanto que a Seporo custava R$ 18,00. Ou seja, muito acima do valor máximo que eu estava acostumado a pagar. No que diz respeito a tradição, até onde eu sei o Japão é conhecido pela tecnologia, arroz e saquê. Nunca tinha ouvido falar sobre cerveja japonesa. Isso me faz lembra de uma regra que normalmente uso: compre produtos de vendedores especializados. Em outras palavras, você não vai a um restaurante italiano comer churrasco gaúcho, ou vai?

Considerando esses aspectos, fiquei sem provar a tal da Seporo  e continuei sem conhecer uma cerveja japonesa.

Eis que um segunda-feira as 18:00hs do dia 14 de Fevereiro, eu fui participar de uma palestra aqui na Universidade de Kent entitulada "The Role of IP in Creating Enterprise" e apresentada por Dave Morgan, from the Intellectual Property Office, que tratava basicamente sobre o assunto de patentes, marcas e registros. Até esse ponto nada de anormal , pois uma palestra dentro da universidade acontece todos os dias e em qualquer universidade que se preze.

Mas ..... como estamos em um país no qual cerveja vai até em mamadeira de bebê ....

Cheguei a sala onde seria apresentada a palestra e fui fazer o meu registro. Olho para o lado e vejo uma mesa com muitas garrafas de água, suco, refrigerantes e cerveja, isso mesmo, cerveja! Como já era final de expediente decidi tomar uma. Mas, quando me aproximei novamente senti aquele pre-conceito. "Poxa vida, os caras compraram uma cerveja japonesa! Porque não colocam saquê ao invéz disso?"

Mesmo assim, já que não estava pagando mesmo, decidi dar o braço a torcer e experimentar. Ainda bem, pois em termos de sabor é uma excelente cerveja, pelo menos dentro da categoria dela. Dependendo do valor, posso até comprar caso encontre nos mercados por aqui. E recomendo a vocês se quiserem experimentar. O nome da cerveja é "Asahi" (figura abaixo).

http://www.asahibeer.co.uk/

Bem, pelo menos nesse sentido, um pontinho para a Inglaterra. Cerveja em palestras é uma boa idéia!