sábado, 28 de fevereiro de 2009

Você compraria uma cerveja japonesa?

Olá caros amigos que acompanham um pouco da minha vida por meio desse blog. No post de hoje pretendo comentar dois assuntos distintos. O primeiro é a minha impressão sobre uma cerveja japonesa que tive a oportunidade de provar e, o segundo, como não poderia deixar de ser, algo diferente que acontece aqui e não no Brasil.

Quando estava morando em São Paulo tive oportunidade de conhecer algumas cervejas diferentes, dentre elas algumas belgas, uruguaias, alemãs, inglesas e por aí vai. Sempre que ia ao super-mercado eu me deparava com uma tal de Seporo Beer (figura abaixo). Mas nunca fui corajoso o suficiente para comprar uma e experimentar. Isso por duas razões: valor e tradição. Vou explicar.

http://www.sapporousa.com

Uma cerveja boa (na minha opinião) e conhecida por mim custava em média uns R$ 8,00, mas podia variar de R$ 3,00 até uns R$ 12,00 enquanto que a Seporo custava R$ 18,00. Ou seja, muito acima do valor máximo que eu estava acostumado a pagar. No que diz respeito a tradição, até onde eu sei o Japão é conhecido pela tecnologia, arroz e saquê. Nunca tinha ouvido falar sobre cerveja japonesa. Isso me faz lembra de uma regra que normalmente uso: compre produtos de vendedores especializados. Em outras palavras, você não vai a um restaurante italiano comer churrasco gaúcho, ou vai?

Considerando esses aspectos, fiquei sem provar a tal da Seporo  e continuei sem conhecer uma cerveja japonesa.

Eis que um segunda-feira as 18:00hs do dia 14 de Fevereiro, eu fui participar de uma palestra aqui na Universidade de Kent entitulada "The Role of IP in Creating Enterprise" e apresentada por Dave Morgan, from the Intellectual Property Office, que tratava basicamente sobre o assunto de patentes, marcas e registros. Até esse ponto nada de anormal , pois uma palestra dentro da universidade acontece todos os dias e em qualquer universidade que se preze.

Mas ..... como estamos em um país no qual cerveja vai até em mamadeira de bebê ....

Cheguei a sala onde seria apresentada a palestra e fui fazer o meu registro. Olho para o lado e vejo uma mesa com muitas garrafas de água, suco, refrigerantes e cerveja, isso mesmo, cerveja! Como já era final de expediente decidi tomar uma. Mas, quando me aproximei novamente senti aquele pre-conceito. "Poxa vida, os caras compraram uma cerveja japonesa! Porque não colocam saquê ao invéz disso?"

Mesmo assim, já que não estava pagando mesmo, decidi dar o braço a torcer e experimentar. Ainda bem, pois em termos de sabor é uma excelente cerveja, pelo menos dentro da categoria dela. Dependendo do valor, posso até comprar caso encontre nos mercados por aqui. E recomendo a vocês se quiserem experimentar. O nome da cerveja é "Asahi" (figura abaixo).

http://www.asahibeer.co.uk/

Bem, pelo menos nesse sentido, um pontinho para a Inglaterra. Cerveja em palestras é uma boa idéia!

Com os ânimos renovados, vamos ao trabalho!

Voltamos então à fase inicial: adaptar o nosso projeto de intensão e formatá-los e acordo com as normas do edital.

Dessa vez o nosso trem-bala vai andar.

Fizemos uma reunião (eu e o Sr. Preto) no dia 26 de Fevereiro para decidir alguns pontos do projeto e qual seria a abordagem utilizada para a confecção do mesmo. Decidimos que até o dia 06 de Março devemos finalizar uma versão apresentável da proposta, para que então, possamos novamente apresentá-la a um especialista: O Sr C. mencionado no post "Caminho das esmeraldas". O objetivo de mostrar a proposta ao Sr C é obtermos uma avaliação crítica e realista do nosso trabalho, identificar as tão prováveis falhas e, posteriormente, corrigirmos esses pontos. Tudo isso para que até o dia 27 de Março tenhamos a versão final da proposta pronta para submissão.

Alguns obstáculos

Desde o dia 23 de Dezembro do ano passado não escrevo algo relacionado ao Trem-bala. Essa interrupção se deu por diversos motivos, mas o mais marcante talvez seja o fato de que nossas opções em busca de financiamento, de repente, estavam escassas.

Em um momento tínhamos algumas opções e, em alguns dias estávamos sem opções. Tentamos buscar financiamento a partir de órgãos do governo federal como o MCT (Ministério de Ciência e Tecnologia) por meio da FINEP, governo estadual por meio da Fundação Araucária e outros afins.

Nesse meio tempo encontramos algumas pessoas mais experientes que nós na execução dessas atividades, ou seja, eles sabem como pedir a grana para os órgãos de fomento. Em uma das reuniões com uma dessas pessoas, ficamos sabendo que não poderíamos mais solicitar o financiamento para o FINEP, o qual era a nossa primeira opção. Isso de certo modo foi um impacto doloroso, pois as outras opções não contemplavam muitos dos nossos requisitos. No entanto não desistimos, mas isso de certo modo freou nossos trabalhos. Mesmo em marcha lenta continuamos.

Em um final de semana de Janeiro, o Sr. Preto foi participar de um curso cujo objetivo, dentre outros, era preparar empreendedores na elaboração de propostas de financiamento voltados ao FINEP. Nesse curso, com a ajuda do professor, ele descobriu que a nossa proposta cabia sim nos requisitos e objetivos do edital da FINEP. Resumindo, voltamos a labuta! Agora com a motivação renovada e com o prazo encurtado.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Sabe o que significa self-lock?

Desde o primeiro dia na Inglaterra, eu sabia que iria me ferrar com a "tal de porta-self-lock".

O sistema é muito simples. Em cima da porta tem um mecanismo que fecha ela automaticamente, o mesmo que se usa no Brasil. A diferença é que aqui acho que mais de 95% das portas tem isso. Maravilha né? ... pois com isso você não precisa se preocupar em fechar a porta. Porém, o que tem aqui que em geral não tem nas portas do Brasil é a fechadura que tranca a porta automaticamente e, se você não estiver com as chaves em mãos, se fu***.

No primeiro dia o meu orientador me disse para ficar sempre com as chaves no bolso. Eu espertão segui o conselho nas duas primeiras semanas e depois esqueci. Mas um belo dia (hoje! e nem estava belo, estava cinzento) eu consegui a proeza de me trancar para o lado de fora do quarto.
Fui muito alegre e sorridente até o mercado fazer minhas compras semanais e bla bla bla.... quando voltei percebi que as chaves não estavam nos meus bolsos! E acabei me recordando que as tinha deixado sobre a mesa dentro do quarto. Que merda!
O que fazer?
Por sorte um dos caras que moram na mesma casa, mas no andar de baixo, estava em casa e abriu a porta principal para mim. Mas como entrar no quarto para guardar as compras e continuar o meu dia feliz?

Tive que ir até o prédio do Keynes College para solicitar uma cópia da chave e pagar o maior mico dizendo que esqueci a minha dentro do quarto. Merda novamente!

Ainda por cima tenho que tomar cuidado para não perder essa cópia e devolver em no máximo uma semana, caso contrário terei que pagar 35 libras pela chave.

Espero não perder/esquecer mais essa chave!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Algumas semelhanças e muitas diferenças

Quando estava no Brasil esperando pela data da viagem ficava imaginando como seria a vida aqui na Inglaterra.

Não estou aqui há tanto tempo assim para dizer como seria viver aqui, mas já tenho algumas impressões.

Uma das principais diferenças com relação ao Brasil é a segurança. É impressionante como a cidade é segura. Aqui vc não precisa se preocupar com assaltos ou roubo de residências. Obviamente pequenos furtos acontecem … se vc deixar a porta do escritório aberta com a sua carteira aberta em cima da mesa e algumas notas de $$$ em cima, as chances de alguém pegar são tão grandes como no Brasil. Mas em geral, aqui é muito mais seguro.

Outro aspecto. Aqui o povo acredita na sua palavra. De certo modo eles são ingênuos! Com tantos brasileiros por aqui eles deveriam rever esse conceito, hehehe.

Voltando à questão da segurança, aqui a piração é tanta com segurança que eu não conseguiria listar todos os itens de segurança, regras de segurança, avisos de segurança, conselhos de segurança e tudo mais relacionado a segurança.

Por onde quer que vc vá tem um aviso dizendo que a porta é corta-fogo e que vc deve sempre deixá-la fechada. Avisos colados na parede dizendo para vc não ficar parado perto da porta porque pode ser que aconteça um acidente (alguém abrir a porta e esbarrar e vc).

Sensores de fumaça parece que estavam em promoção no último verão. Parece praga tem para todo lugar.

E foi com desses aí que me estranhei alguns dias atrás.

Estava eu, bem belo e feliz, conzinhando meu arrozinho branco para comer com minha lentilha verde e alguns legumes cozidos no vapor (hummmm), quando de repente o alarme tocou! E vc sabe o que deve ser feito quando o alarme toca? Bem, primeiro lugar vc tem que fechar tudo, todas as janelas, desligar todas as tomadas … isso mesmo, as tomadas não os aparelhos, pois cada tomada tem um disjuntor que as habilitam ou desabilitam … que saco. E depois de tudo isso, tem que sair correndo, chegar num lugar seguro e ligar para o Campus Watch (Setor de segurança) e esperar até que alguém desligue o alarme e libere a entrada.

O mais importante, o alarme tocou por causa da fumaça que saía da panela de arroz, fumaça não, o vapor! E se vc não sair de dentro da casa a multa é de 1000 libras!!!

Ou seja, corra!

Por isso eu acho que os caras são completamente loucos com relação à segurança, pois o vapor de uma panela de arroz já é um perigo tremendo.