terça-feira, 3 de março de 2009

Duvel, a rainha dourada

No Brasil, assim como em muitos outros países, é muito comum o consumo de cervejas. No entanto, diferentemente de outros países como Alemanha, Inglaterra, República Tcheca e Bélgica, não temos muitas variedades de cervejas. Foi isso mesmo que quis dizer, não temos muitas variedades de cervejas, temos sim muitas marcas distintas, mas em geralsão da mesma categoria: Pilsen.


http://www.stellaartois.com/

Há algum tempo comecei a apreciar cervejas e ler algo a respeito. Desde então encontri várias referências sobre cervejas Belgas, sempre muito bem avaliadas e muito desejadas. Porém, para mim, era difícil experimentá-las uma vez que são difíceis de encontrar no Brasil (principalmente em Foz do Iguaçu ou outras cidades pequenas). Nas vezes que as encontrei em supermercados, não tive coragem (entenda dinheiro) para comprar, pois o valor de uma garrafa pequena com cerca de 500 ml custa entre R$ 25,00 e R$ 30,00. Obviamente existem opções mais acessíveis, como a Stella Artois (pronúncia: /ˈstɛlə ɑrˈtwɑː/) que é muito boa na minha opinião, considerando a categoria na qual ela é classificada: Pilsen lager.

Deixando as exceções de lado, o objetivo desse post é inaugurar uma série que vai descrever minhas impressões e um pouco da história das grandes cervejas Belgas que eu tiver oportunidade de conhecer. Para começar, vamos considerar uma cerveja que define a categoria Strong Golden Ale na Bélgica: a Duvel.






duvel1

Eu poderia dizer que a Duvel é uma cerveja Belga que passa por três etapas de fermentação, com 8,5% de teor alcoólico, de coloração dourada, suave e com sabor um tanto quanto complexo. Mas se eu fizesse isso estaria desmerecendo essa preciosidade, ignorando o impacto histórico e as influências que essa cerveja causou na produção Belga e, posteriormente, na mundial.
Nesse sentido, acredito que seja importante relembrar alguns fatos e momentos marcantes da sua história.
Em 1871 Jan-Leonard Moortgat fundou a Cervejaria Moortgat em Puurs, uma pequena cidade entre Bruxelas e Antwerpen. Então, deu início à produção de cervejas que eram vendidas para fazendeiros da vizinhança ou tavernas locais. Em 1880, seus dois filhos Albert e Victor se inserem nos negócios da família, sendo que Albert torna-se um dos mestres cervejeiros.
Após alguns anos, deu-se início a primeira Guerra Mundial (1914). Esse é um fato importante para o nascimento da Duvel, pois durante a guerra muitos soldados britânicos montaram acampamento na Bélgica, e com esses soldados vieram as tão comuns cervejas britânicas "Ales". Influenciado pela popularidade desse estilo de cerveja, Albert decidiu criar uma cerveja semelhante. Para isso foram necessários alguns anos de formulação e experimentação, quando finalmente em 1923 surgiu a "Victory Ale". Esse nome foi escolhido como tributo aos soldados britânicos e norte americanos que lutaram contra a Alemanha na primeira Guerra Mundial.
Apesar da boa intenção, esse nome não foi forte o suficiente para resistir ao comentário de um dos trabalhadores da cervejaria, comentário esse que deu origem ao nome Duvel. Em uma degustação, um dos trabalhadores presentes descreveu a cerveja como "Da's nen echten duvel" (inglês: "Damn, that's a devil of a beer") que poderíamos traduzir como: "Caramba, que cerveja do demônio". A partir desse momento a cerveja passou a ser chamada de Duvel.

duvel_glass

Mas o que há de tão especial nessa cerveja? Um dos segredos está na escolha e mistura dos ingredientes:
Fermento: o fermento sempre tem um papel importantíssimo para a formação do sabor final da cerveja. Para chegar ao fermento ideal, a cervejaria contou com a ajuda de um cientista cervejeiro chamado Jean De Clerck o qual,em 1919,  adaptou e reformulou uma espécie de fermento derivada de um fermento escocês chamado McEwan. Desde então, esse mesmo fermento tem sido utilizado na fabricação da Duvel.
Lúpulo: para ser preciso, na fabricação da Duvel são utilizados dois tipos de lúpulo, o Saaz e o Styrian. O primeiro, de origem Tcheca, é responsável pelo sabor levemente apimentado e é utilizado na fabricação das grandes Pilsens. O segundo, de origem Eslovaca, é muito procurado e também muito raro, contribui para um aroma mais temperado e amargo além de atribuir sabor relativamente floral e delicado. Essa mistura resulta em uma tremenda complexidade em termos de aroma e sabor, característica marcante da Duvel.
Cevada: motivado pela demanda por cervejas Pale (clara), a partir de 1970, Albert Moortgat decidiu utilizar uma cevada de origem francesa (região de Beauce Gatinais), mais clara que a cevada originalmente utilizada. Como resultado da mudança, a Duvel passou a ser tão clara quanto uma cerveja Pilsen, mas com o sabor marcante de uma Ale.
Dados técnicos à parte, eu devo dizer que fiquei muito feliz por ter apreciado essa cerveja. E para ser sincero não vejo a hora de voltar ao pub para tomar mais algumas. Definitivamente, a Duvel é uma das melhores cervejas Ale que já experimentei. Se tiverem oportunidade, bebam!
Quem quiser dados mais precisos e mais detalhados a respeito dessa cerveja deve visitar o site oficial http://www.duvel.be
Vale lembrar que nesse post eu apresento apenas algumas informações a respeito dessa cerveja, mas que não sou nenhum expert no assunto, apenas aprecio o sabor das boas Belgas.



sábado, 28 de fevereiro de 2009

Você compraria uma cerveja japonesa?

Olá caros amigos que acompanham um pouco da minha vida por meio desse blog. No post de hoje pretendo comentar dois assuntos distintos. O primeiro é a minha impressão sobre uma cerveja japonesa que tive a oportunidade de provar e, o segundo, como não poderia deixar de ser, algo diferente que acontece aqui e não no Brasil.

Quando estava morando em São Paulo tive oportunidade de conhecer algumas cervejas diferentes, dentre elas algumas belgas, uruguaias, alemãs, inglesas e por aí vai. Sempre que ia ao super-mercado eu me deparava com uma tal de Seporo Beer (figura abaixo). Mas nunca fui corajoso o suficiente para comprar uma e experimentar. Isso por duas razões: valor e tradição. Vou explicar.

http://www.sapporousa.com

Uma cerveja boa (na minha opinião) e conhecida por mim custava em média uns R$ 8,00, mas podia variar de R$ 3,00 até uns R$ 12,00 enquanto que a Seporo custava R$ 18,00. Ou seja, muito acima do valor máximo que eu estava acostumado a pagar. No que diz respeito a tradição, até onde eu sei o Japão é conhecido pela tecnologia, arroz e saquê. Nunca tinha ouvido falar sobre cerveja japonesa. Isso me faz lembra de uma regra que normalmente uso: compre produtos de vendedores especializados. Em outras palavras, você não vai a um restaurante italiano comer churrasco gaúcho, ou vai?

Considerando esses aspectos, fiquei sem provar a tal da Seporo  e continuei sem conhecer uma cerveja japonesa.

Eis que um segunda-feira as 18:00hs do dia 14 de Fevereiro, eu fui participar de uma palestra aqui na Universidade de Kent entitulada "The Role of IP in Creating Enterprise" e apresentada por Dave Morgan, from the Intellectual Property Office, que tratava basicamente sobre o assunto de patentes, marcas e registros. Até esse ponto nada de anormal , pois uma palestra dentro da universidade acontece todos os dias e em qualquer universidade que se preze.

Mas ..... como estamos em um país no qual cerveja vai até em mamadeira de bebê ....

Cheguei a sala onde seria apresentada a palestra e fui fazer o meu registro. Olho para o lado e vejo uma mesa com muitas garrafas de água, suco, refrigerantes e cerveja, isso mesmo, cerveja! Como já era final de expediente decidi tomar uma. Mas, quando me aproximei novamente senti aquele pre-conceito. "Poxa vida, os caras compraram uma cerveja japonesa! Porque não colocam saquê ao invéz disso?"

Mesmo assim, já que não estava pagando mesmo, decidi dar o braço a torcer e experimentar. Ainda bem, pois em termos de sabor é uma excelente cerveja, pelo menos dentro da categoria dela. Dependendo do valor, posso até comprar caso encontre nos mercados por aqui. E recomendo a vocês se quiserem experimentar. O nome da cerveja é "Asahi" (figura abaixo).

http://www.asahibeer.co.uk/

Bem, pelo menos nesse sentido, um pontinho para a Inglaterra. Cerveja em palestras é uma boa idéia!

Com os ânimos renovados, vamos ao trabalho!

Voltamos então à fase inicial: adaptar o nosso projeto de intensão e formatá-los e acordo com as normas do edital.

Dessa vez o nosso trem-bala vai andar.

Fizemos uma reunião (eu e o Sr. Preto) no dia 26 de Fevereiro para decidir alguns pontos do projeto e qual seria a abordagem utilizada para a confecção do mesmo. Decidimos que até o dia 06 de Março devemos finalizar uma versão apresentável da proposta, para que então, possamos novamente apresentá-la a um especialista: O Sr C. mencionado no post "Caminho das esmeraldas". O objetivo de mostrar a proposta ao Sr C é obtermos uma avaliação crítica e realista do nosso trabalho, identificar as tão prováveis falhas e, posteriormente, corrigirmos esses pontos. Tudo isso para que até o dia 27 de Março tenhamos a versão final da proposta pronta para submissão.

Alguns obstáculos

Desde o dia 23 de Dezembro do ano passado não escrevo algo relacionado ao Trem-bala. Essa interrupção se deu por diversos motivos, mas o mais marcante talvez seja o fato de que nossas opções em busca de financiamento, de repente, estavam escassas.

Em um momento tínhamos algumas opções e, em alguns dias estávamos sem opções. Tentamos buscar financiamento a partir de órgãos do governo federal como o MCT (Ministério de Ciência e Tecnologia) por meio da FINEP, governo estadual por meio da Fundação Araucária e outros afins.

Nesse meio tempo encontramos algumas pessoas mais experientes que nós na execução dessas atividades, ou seja, eles sabem como pedir a grana para os órgãos de fomento. Em uma das reuniões com uma dessas pessoas, ficamos sabendo que não poderíamos mais solicitar o financiamento para o FINEP, o qual era a nossa primeira opção. Isso de certo modo foi um impacto doloroso, pois as outras opções não contemplavam muitos dos nossos requisitos. No entanto não desistimos, mas isso de certo modo freou nossos trabalhos. Mesmo em marcha lenta continuamos.

Em um final de semana de Janeiro, o Sr. Preto foi participar de um curso cujo objetivo, dentre outros, era preparar empreendedores na elaboração de propostas de financiamento voltados ao FINEP. Nesse curso, com a ajuda do professor, ele descobriu que a nossa proposta cabia sim nos requisitos e objetivos do edital da FINEP. Resumindo, voltamos a labuta! Agora com a motivação renovada e com o prazo encurtado.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Sabe o que significa self-lock?

Desde o primeiro dia na Inglaterra, eu sabia que iria me ferrar com a "tal de porta-self-lock".

O sistema é muito simples. Em cima da porta tem um mecanismo que fecha ela automaticamente, o mesmo que se usa no Brasil. A diferença é que aqui acho que mais de 95% das portas tem isso. Maravilha né? ... pois com isso você não precisa se preocupar em fechar a porta. Porém, o que tem aqui que em geral não tem nas portas do Brasil é a fechadura que tranca a porta automaticamente e, se você não estiver com as chaves em mãos, se fu***.

No primeiro dia o meu orientador me disse para ficar sempre com as chaves no bolso. Eu espertão segui o conselho nas duas primeiras semanas e depois esqueci. Mas um belo dia (hoje! e nem estava belo, estava cinzento) eu consegui a proeza de me trancar para o lado de fora do quarto.
Fui muito alegre e sorridente até o mercado fazer minhas compras semanais e bla bla bla.... quando voltei percebi que as chaves não estavam nos meus bolsos! E acabei me recordando que as tinha deixado sobre a mesa dentro do quarto. Que merda!
O que fazer?
Por sorte um dos caras que moram na mesma casa, mas no andar de baixo, estava em casa e abriu a porta principal para mim. Mas como entrar no quarto para guardar as compras e continuar o meu dia feliz?

Tive que ir até o prédio do Keynes College para solicitar uma cópia da chave e pagar o maior mico dizendo que esqueci a minha dentro do quarto. Merda novamente!

Ainda por cima tenho que tomar cuidado para não perder essa cópia e devolver em no máximo uma semana, caso contrário terei que pagar 35 libras pela chave.

Espero não perder/esquecer mais essa chave!