domingo, 8 de fevereiro de 2009

Pedras sobre pedras ...

Lembra que disse num post anterior (”E acertar o vagão é que eu quero ver …“) que eu deveria me apresentar na polícia ….. então, na verdade é no posto da polícia “Federal” deles.
Isso tudo para fazer uma espécie de identidade britânica e, obviamente, pagar uma graninha para eles.

Mas beleza, fui até o tal posto policial que fica em outra cidade porque a cidade que moro é muito pequena e não tem essas coisas. Cara, tava muito frio. Muito mesmo!
Esse posto policial fica num vilarejo entre Canterbury (cidade que moro) e Folkestone (cidade litorânea) — veja o mapa abaixo.

(A) Canterbury -> (B) Folkestone

Para fazer a tal a identidade foi sussa e muito rápido. Já ia esquecendo, tive que marcar hora. Não dá para simplesmente chegar lá e ser atendido. Saindo do posto policial resolvi aproveitar que estava perto e ir para a praia.

Tive que esperar mais ou menos uns 40 minutos pelo ônibus. Mas não tinha nada para me proteger do frio e principalmente do vento. Eu ainda não tinha comprado os casacos legais à prova de vento e água. Mas por sorte não choveu.

Depois de algum tempo eu cheguei ao que costumamos chamar de litoral de pedra, pois praia mesmo não existe. Dificilmente alguém conseguiria encontrar um grão de areia naquela praia. É pedra para todo lado. E frio heim, bota frio nisso.
Eu nunca tinha passado tanto frio na vida até aquele dia.

Apesar de tudo, o litoral é “bonito”, um tanto triste e deserto. Mas um bom local para ficar por um tempo pensando na vida (agasalhado!!!).


Eu com poucas blusas ....

Fazer o que mesmo?

Já escrevi sobre a viagem antes …. mas afinal, pra que estou aqui?
Bem, vim para cá supostamente para estudar. Na real, para fazer o meu doutorado que até então estava completamente estagnado devido a diversos fatores …. tema para conversa de bar não para blog!

Sim, vim para estudar e em uma universidade!
Minha situação aqui na universidade é um tanto quanto complexa. Não sou considerado estudante perante a universidade de Kent, apesar de ser estudante no Brasil. Isso porque a CAPES (órgão de fomento de pesquisa do governo brasileiro) não paga a tal da tuition fee (como se fosse a mensalidade da universidade). Por isso oficialmente eu sou um Visiting Reseach Assistant (pesquisador visitante), que teoricamente seria membro de staff (pessoal, funcionários, empregados… essas coisas). Mas, na real, não sou isso também, como diz o meu orientador: “Jean, você está no limbo!”.

Pelo menos me arranjaram uma sala e um computador para trabalhar. Na verdade, a estrutura de trabalho é excelente. Par ter idéia, todos os alunos de doutorado ou mestrado, ou mesmo eu que sou porra-nenhuma, tenho acesso livre a uma papelaria com tudo que for necessário. Parece pouco mas não conheço uma universidade sequer no Brasil que disponibilize isso aos seus alunos, não da mesma maneira que a Universidade de Kent faz.

Além disso, consegui um quarto em um dos alojamentos da universidade. Pelo menos isso!
Na verdade não fui eu quem conseguiu, pois eu tentei antes de chegar aqui. Mandei um duzilhão de emails para o escritório de acomodação e eles me negaram em todos os emails.
Mas quando cheguei lá com o meu orientador e ele disse: “Olá, sou o Reader do Departamento e quero saber se tem um quarto para o meu novo assistente …. blá blá blá” (Reader é a penúltima instância da hierarquia de professores … mais um degrau e ele vira um semideus dentro da universidade). Então, depois disso, em menos de 3 segundos a mulher falou: temos sim!

Impressionante isso. Fico indignado com isso, mas pelo menos tenho onde morar e por um baixo custo … pago uma ninharia comparado com o que meus colegas que não moram no campus pagam, e ainda por cima por um pacote completo.
No pacote, estão inclusos itens como a limpeza da cozinha e do banheiro por uma tiazinha que vem uma vez por semana, água, sistema de aquecimento, energia elétrica e internet hyper-mega-rápida.

Além disso, moro numa casa em estilo medieval com mais de 250 anos. Muito loco!!!

E acertar o vagão é que eu quero ver ...

A chegada na Inglaterra foi tranquila, tirando os problemas já mencionados e agora superados.
Mesmo na imigração foi sussa. Só as burocracias de praxe mesmo. Esperar um tempo numa fila, apresentar uns documentos para um cara, depois para outra mulher e, finalmente, para uma terceira que bate o carimbo e te manda se apresentar na polícia em até 7 dias. Mesmo sendo recém chegado, os caras já pensam que sou marginal, foda isso viu!!!

A maior dificuldade foi entender o que o povo me dizia quando eu perguntava algo. Que nhaca de sotaque difícil sô!
Carregando duas malas gigantescas e sem saber direito por onde ir para pegar o trem para Canterbury, fui obrigado a perguntar para um monte de gente.
Mas enfim cheguei à estação de trem. Ali eu sabia que teria mais um obstáculo. Por incrível que pareça, o trem que eu tinha que embarcar se divide no meio do caminho, 4 vagões vão para um canto qualquer e os outros 4 vão para a cidade que eu deveria ir. E adivinhem o que aconteceu! Eu peguei o vagão certo! Sério, consegui. Heheheheh.
Na real, é tudo muito bem indicado e sinalizado por todos os cantos. Mas no painel eletrônico principal da estação não é tão claro assim, wharever …. deu certo e eu cheguei depois de uma hora babando nas paisagens completamente estranhas para mim.
Caramba nunca tinha visto tanto gelo!

E se vc me perguntar por algo que seja realmente britânico, hoje eu diria que é o padrão arquitetônico …. pois onde quer que vc olhe aqui, verá uma casa de tijolinho à vista, como na figura abaixo. Impressionante como são todas iguais.

Os tijolinhos britânicos

Não sabia que avião girafa, não! girava, sei lá ...

Pois é, foi difícil começar a viagem mas depois teve algo de bom ao menos …

Estava tudo muito chato, sem turbulência, sem companhia, com um fedido ao lado e uma escrota do outro lado, com o sistema de entretenimento do avião completamente inoperante … uma nhaca só!

De repente percebi uma movimentação constante logo à frente da minha poltrona, numa parte meio fechada do avião, tipo um biombo. Eram os atendentes de bordo que estavam preparando o rango. “Que beleza”, pensei, pois estava faminto.

Quando vi o miniprato me assustei já que não fecharia nenhum dos buracos dos meus dentes com aquela quantidade de comida. Mas pelo menos o cheiro do rango estava bom, o sabor nem tanto, mas o cheiro sim.

Mas tudo isso foi superado quando percebi que eles estavam servindo vinho. Eram duas opções, um deles Redtree Chardonnay da Califórnia e o outro um Bordeaux relativamente simples mas muito saboroso. Tinha anotado o nome do produtor, mas não sei onde coloquei o papel.

Obviamente tive que tomar uma garrafa de cada. Calma aí, não era uma garrafa de 750 ml, mas sim de 300 ml cada uma. Então tecnicamente eu tomei menos que uma garrafa de vinho. Mas juro que foi mais que o suficiente para me deixar mal. Caramba, como tudo girava!
Para solucionar o problema tive que tomar um remédio para dormir, caso contrário a moça estranha que estava ao meu lado correia o risco de ficar mais fedida que o cara do outro lado, pois se eu não conseguisse sair em tempo poderia jogar tudo em cima dela mesmo.

Foi foda, mas logo depois passou, pois dormi.

Corre que o avião está saindo.

Sei que estou muito atrasado e que deveria ter postado esse texto no dia 08 de janeiro. Isso mesmo, 08 de janeiro foi o dia em que cheguei na Inglaterra, mas a chegada fica para o próximo, pois esse post trata da saída do Brasil.

Para variar não foi muito fácil. Além disso, puta viagem cansativa porra!
Para começar tive que enfrentar 16 horas de busão saindo de Foz até São Paulo. Por sorte eu decidi chegar em São Paulo um dia antes da data do embarque para a Inglaterra. Com esse dia a mais consegui descansar um pouco para a outra parte da viagem.

Estava eu bem tranquilo na casa de um amigo em São Paulo só esperando a hora para sair. Conhecedor do transito de São Paulo, planejei sair com duas horas de antecedência para chegar em tempo no aeroporto e fazer o check-in sem maiores problemas. Até aí tudo bem.
Saí para almoçar com minha antiga professora de inglês (Vanessa), a qual salvou minha pele!
Pois como eu estava numa situação completamente nova e totalmente despreparado, não sabia que deveria estar no aeroporto com duas horas de antecedência para fazer o check-in. Estava imaginando que seria uma hora como nos outros vôos comerciais. Mas esse não era um vôo normal. Durante o Almoço a Vanessa me perguntou o horário do vôo e se eu estava ciente de que deveria estar no aeroporto com duas horas de antecedência para vôos internacionais. Respondi que não sabia dessa regra.

E aí começou a correria! Por sorte ela estava de carro e não tinha compromisso para as duas horas seguintes. Foi então que saímos na correria para o aeroporto de Congonhas onde deveria pegar um ônibus para o outro aeroporto, o de Guarulhos.

Deu tempo, mas ainda tive que pedir para o motorista do busão me esperar enquanto eu comprava a passagem, pois se perdesse esse ônibus não chegaria em tempo para o check-in!

Quando chegamos em Guarulhos, fui retirar minhas malas do bagageiro do busão e o FDP que tava conferindo as etiquetas e entregando as malas, não sei como, conseguiu arrebentar a alça de uma das minhas mochilas! Eu com pressa nem quis reclamar, até por que não mudaria porra nenhuma.

Fui correndo fazer o check-in, na maior pressa possível e, em cinco minutos, consegui sem nenhuma dificuldade. Mesmo para os novatos é fácil, hehehe

Feito o check-in, vem a outra fase … a fase do chá de cadeira!
Poxa vida, tive que correr tanto para depois ter que ficar mais de uma hora e meia sentado esperando pelo horário do avião.
Pelo menos o vôo não atrasou.

Depois de todo esse tempo, consegui entrar na pocilga do avião e, com um pouco de esforço, me acomodei na super-apertada poltrona do Boeing 747 da Britsh Airways, entre um inglês fedido e uma inglesa estranha, mas pelo menos sem cheiro. Ô viagem dura!!